Tecnologia ajuda a desenvolver setor agropecuário

Nesta quinta-feira, 8, aconteceu no Parque de Ciência e Tecnologia Guamá (PCT Guamá) uma reunião do Grupo de Trabalho da Pecuária Intensiva, criado para aproximar todos os agentes do setor para encaminhar demandas, fazer sugestões e solucionar gargalos tecnológicos, fundiários e mercadológicos.

“Aqui é o centro de inteligência, ciência e tecnologia do Pará 2030”, anunciou o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia (Sedeme), Adnan Demachki, sobre o PCT, “daqui sairão as soluções para muitos gargalos tecnológicos demandados pelo setor”.

Em seguida, Adnan convidou os visitantes a conhecer os laboratórios que têm ligação direta com a agropecuária. A reunião desta quinta fora marcada no dia 16 de fevereiro, quando o GT se reuniu e, entre outras coisas, reivindicou apoio tecnológico para crescer mais e melhor e também foi anunciada a criação da Aliança Paraense da Carne, reunindo produtores e indústria do setor.

O primeiro laboratório a ser visitado foi o da Qualidade do Leite. A diretora deste laboratório, Luíza Meller, afirmou que ali os equipamentos estão entre os mais modernos do Pará para análise de sanidade animal, com contagem de bactérias, comprovação das características do leite, níveis de contaminação, quando existem, tudo com o fim de melhorar a qualidade não apenas do leite, mas também dos derivados.

“Somos referência no Norte, integrados à Rede Brasileira pela Qualidade do Leite”, informou a professora Luíza. “Temos capacidade de processar 500 amostras por hora, sempre com a visão de desenvolvimento econômico e qualidade, com a consciência de que, com matéria-prima ruim, não se chega a um produto final de qualidade.”

Luíza Meller esclareceu que “nossa missão é ser parceiro, resolver gargalos tecnológicos, e não a verticalização em si, a cargo sempre do setor privado: garanto que nossos serviços têm um custo muito, muito abaixo do mercado, quando se considera a excelência nesse tipo de análise.”

GENÉTICA
Em seguida, o grupo foi ao Laboratório de Engenharia Biológica, que dispõe de seis sequenciadores, três deles de última geração, “uma estrutura sem igual em Belém”, garantiu o diretor interino Rommel Ramos.

O laboratório realiza análises na área do melhoramento genético, combate a pragas e doenças e ajuda na detecção, seleção e desenvolvimento de genes associados à qualidade da carne. “Aqui, além de um centro de genética, é também um centro de bioinformática, o que nos permite a computação e processamento de grande quantidade de dados, com resultados definitivos em itens como precocidade da carne, marmorização, além de detectarmos, por exemplo, se houve cruzamento entre espécies para gerar determinadas características”, afirmou Rommel.

O diretor do laboratório também disse que, a partir de resultados já disponíveis no banco de dados, é possível usar “marcadores” (identificadores de certos genes) já conhecidos para acelerar o processo e contribuir de forma eficaz para o melhoramento da carne paraense como um todo.

No Laboratório de Sensores e Sistemas Embarcados, os representantes do setor da pecuária receberam uma confirmação fundamental para uma demanda do setor: a rastreabilidade do gado, com o fim de coibir o roubo, a venda de carne clandestina e garantir igualdade de competitividade entre os fornecedores paraenses de proteína animal.

“Uma solução é pegarmos sistemas de rastreamento já em prática no Brasil e fazermos adequações e adaptações às nossas especificidades”, informou Adalbery Castro, que atua no laboratório.

EMBRAPA
Após as visitas aos laboratórios de interesse direto do setor agroindustrial (no PCT Guamá há outros, como o Laboratório de Eficiência Energética), os representantes do governo do Estado e os da pecuária sustentável se reuniram para tratar de demandas e gargalos diretos já enfrentados pelo setor.

A professora e pesquisadora da Embrapa Luciana Gatto Brito falou aos presentes da longa trajetória da instituição em pesquisas agropecuárias e informou que, já na próxima semana, uma grande parte do Prédio de Inovação do PCT Guamá será ocupada pela Embrapa com dois laboratórios (estes começarão a operar só em maio): o Laboratório de Sanidade Agropecuária e o Laboratório da Agroindústria.

“Vamos trabalhar integrados, inclusive com outras instituições, para gerar uma sinergia e uma sistematização de ações que beneficiem a todos”, disse Luciana.

O produtor Mauricio Fraga – Presidente da Adepará relatou então uma demanda imediata: como combater o rompimento dos cascos dos animais, problema comum em todo o Pará.
Luciana Gatto disse que podem ser várias as causas, e que só uma visita nos locais pode esclarecer.

“A partir do que vocês nos demandarem, a partir das necessidades reais do setor, enfrentadas na prática, no dia a dia, podemos redesenhar as próprias ações da Embrapa aqui no PCT para atendê-los.”

ITERPA
Adnan Demachki, ao apresentar o tema da regularização fundiária (uma questão determinante para a agropecuária), lembrou que, em 2015, o Pará era o número 1 em conflitos fundiários no país.

“Nossas ações foram imediatas. Construímos a nova sede do Iterpa, quatro vezes maior que a anterior, equipamos com computadores e outras máquinas e terceirizamos serviços como o georreferenciamento. Também simplificamos a emissão de títulos e os resultados estão no papel: nos últimos 10 anos, a média de títulos emitidos foi de 500 por ano; só em 2017, emitimos 2.603 títulos”.

O presidente do Iterpa, Daniel Lopes, disse: ”houve muitos avanços e devemos festejar. Mas precisamos avançar mais e todos os fundamentos nesse sentido foram implantados.

Francisco Victer, presidente da União Nacional dos Exportadores de Carne (Uniec), disse que a aproximação do setor com o governo se deu justamente pelo Pará 2030, “pois sempre consideramos que a economia deveria ser planejada para ter resultados mais eficazes”.

Victer elogiou a rapidez dos encaminhamentos de questões importante pelo Grupo de Trabalho e sugeriu a formação de um Comitê Gestor do Grupo, além de promover a adesão de novos produtores (inclusive os que aceitarem se regularizar, para melhorar o setor como um todo) e também criar e fortalecer uma marca própria, de caráter comercial e que sirva ao setor de forma planetária.

O titular da Sedeme, Adnan Demachki, concordou com a criação de um Comitê Gestor dentro do grupo, para agilizar certos encaminhamentos, e lembrou que a questão de valorizar uma marca amazônica, paraense, já é uma das prioridades do Pará 2030, já trabalhada nas cadeias da pecuária, do açaí e do cacau.

SEMAS
O titular da Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), Thales Belo, esclareceu várias questões levantadas pelos produtores agropecuários. Alguns reclamam que, em áreas grandes, que operam legalmente, às vezes um único polígono com o PRODES é questionado pela fiscalização, a partir de imagens de satélite, mas aí toda a área é embargada.

Thales Belo informou que não há na lei nada que obrigue a isso, e que, sim, apenas a área questionada é que deve sofrer sanção, não a área global em que está inserida. Outro questionamento é que, muitas vezes, um empresário adquire uma área contígua à outra. Acontece que, na hora de declarar, se já houve algum problema com a área que ele já possuía, não é concedida nem a licença, nem a titularidade da nova área.

“Isto também está contra a lei”, garantiu o secretário de Meio Ambiente. “Cada área precisa de uma matrícula diferente, e não se pode unificá-las, ainda mais com esse tipo de consequência impeditiva”.

A compensação de áreas também foi apontada, Thales Belo disse que a Semas testa uma nova plataforma para as declarações online, e as ações envolvendo compensação poderão ser feitas diretamente pela internet.

“Vamos organizar caravanas aos principais municípios produtores para esclarecer tudo sobre a nova plataforma e também receber sugestões”, anunciou Thales Belo. “Inclusive esclarecimentos aos municípios que assumam a missão de validar os cadastros de cada propriedade, facilitando e agilizando todo o processo de regularização via Semas”.

O secretário Adnan Demachki encerrou a reunião lembrando que o GT da Pecuária Sustentável cumprira justamente a missão para a qual fora criado: aproximar produtores, governo e consumidores, apresentar demandas e sugestões e resolver, de forma direta, questões imediatas e encaminhar, de forma profunda, as mais complexas. Texto e fotos: Ascom/Sedeme.